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Criando uma Cultura de Inovação

Se inovar fosse uma tarefa fácil, o Brasil já estaria em primeiro lugar no ranking dos países inovadores, pois somos um povo extremamente criativo e engenhoso. Se esses fossem os únicos critérios para promover inovações, as organizações brasileiras estariam bem à frente de outros países vizinhos, e não ocuparia a dura e carente 69ª posição entre as nações inovadoras.

Brasil entre os países inovadoras.

É preciso criar e gerir o conhecimento organizacional para obter novos saberes, pois são as pessoas que lidam com novas máquinas e tecnologias, que identificam os processos mais rápidos e qualificados para usá-las.

Cultura Atual do Empreendedorismo

Vivemos há décadas em uma cultura imediatista e focada no resultado “pra ontem”, o que dificulta a implementação de uma cultura de inovação, que é algo, sobretudo, gradativo e contínuo.

A meu ver, parte do problema decorre dos empresários brasileiros ainda não reconhecerem que a força motriz para potencializar a inovação está na valorização dos recursos humanos. Ainda vejo muitos acreditando que a compra de uma nova máquina/tecnologia ou aquisição de financiamento para ter capital de giro vai resolver todas as questões. Mesmo sendo grandes iniciativas, esse não é o único tipo de investimento que levará a empresa a outro nível.

Gestão pelo Temor

Outro ponto a se destacar é a cultura de gestão pelo temor, na qual o empresário impõe medo aos seus funcionários como uma forma de liderança e obtenção de poder.
Este aspecto acaba inibindo colaboradores de trazerem novas ideias e de buscar novidades para a empresa, já que o clima organizacional não o favorece. Em contraponto, também há empresários que tem o receio de seus funcionários se rebelarem, pois eles detêm o poder do conhecimento e rotinas de trabalho.

LEIA TAMBÉM: “Os principais obstáculos para Inovar nas Pequenas Empresas”

Como criar uma Cultura de Inovação

Desta maneira, para que a cultura de inovação vá se inserindo aos poucos na empresa, é essencial incrementá-la com ações pontuais como Design Thinking, reuniões periódicas, identificação de melhorias no processo, participação e promoção de seminários e eventos, verificação de talentos na empresa, inserção de programas de trainees, dentre outra tantas ações.

Logo, é preciso conscientização sobre a inovação, mas ao mesmo tempo surge a necessidade de melhoria no ambiente organizacional. Não estou recomendando que você aguarde a cultura de inovação cair do céu, ou que um dia, repentinamente, estará presente na sua empresa.

É necessário ter paciência e plantar sementes hoje para colher uma ambiência que facilite a geração de inovações amanhã.

Criando uma cultura de Inovação

É preciso realizar ações que levem a empresa a um novo patamar, e estas ações não precisam ser absolutamente avançadas, conforme vimos anteriormente. Com um ambiente propício e adequado à geração de ideias, a consequência será o surgimento de inovações.

Neste contexto, ressalto, a seguir, uma série de ações que podem ser iniciadas hoje mesmo, dando a possibilidade de dar o pontapé para a criação de uma cultura de inovação:

Benchmarking

Todo empresário que se preze deve buscar novas oportunidades e clientes, bem como analisando sua concorrência. Sobre este aspecto, nota-se que os empresários focam mais nos preços do que nos processos, ou seja, dando ênfase a consequência e não a causa do sucesso.

É preciso visualizar todo o contexto, como atendimento ao cliente, exposição e estoque de produtos, métodos de pagamento, logística de recebimento e entrega de produtos, apresentação de serviços, dentre outros. A partir desta visualização, deve identificar quais as principais boas práticas e verificar como podem ser inseridas na empresa.

Compartilhamento do Conhecimento

Pequenas empresas brasileiras não possuem a prática de estimular seus funcionários que participam de capacitações ou treinamentos a repassar o conhecimento obtido. Assim o novo conhecimento que poderia gerar inovações quando combinados com os conhecimentos das outras pessoas fica retido em uma única pessoa, prejudicando o processo de fomento da cultura de inovação.

A criação de tutoriais para uso de tecnologias, apresentações e reuniões com a equipe de trabalho, demonstração do uso de alguma ferramenta são exemplos do que se poderia fazer para socializar um novo conhecimento.

Mas não para por aí, é preciso incentivar as pessoas a aplicar o novo conhecimento, e replicá-lo para que haja um aprendizado contínuo e que o conhecimento seja coletivo e não individual.

Reuniões Periódicas

Este é um aspecto que leva as pessoas a se conhecerem melhor e saber o que cada um faz dentro da empresa. Sendo assim, fica mais fácil saber se alguém tem alguma ideia, valor ou concepção de mundo semelhante a sua. As reuniões devem ter pauta, duração e objetivos bem definidos, pois senão acabam gerando desconforto e perdem o sentido.

Brainstorming

A famosa tempestade de ideias é uma das formas mais criativas para se criar novos produtos ou serviços e tomar decisões democráticas, envolvendo o grupo. Para tal ação, é necessário ouvir o que cada colaborador tem a falar e não excluir nenhum posicionamento.

Identificação de produtos/serviços não rentáveis

Lançar novos produtos e serviços é uma estratégia adotada como forma de buscar novos clientes. No entanto, ao entrarmos numa loja vemos muitas vezes, funcionários dedicando boa parte de seu tempo e esforço para a divulgação e venda de produtos que já não são rentáveis, com o único objetivo de tirá-lo da prateleira para que não ganhe mais poeira. O empresário inovador é aquele que também é ousado o suficiente para retirar produtos de seu portfólio, levando seus funcionários a priorizarem os produtos e serviços que podem ter mais venda.

Implementando a Metodologia Canvas da Proposta de Valor

Ultimamente, empresas de diversos segmentos vêm fazendo uma modelagem de negócio através do Canvas antes do lançamento de algum serviço, ou para analisar a proposta da empresa, mas o que nem todo empresário sabe é que pode ser ainda mais preciso em sua análise, a partir do Canvas de um quadrante específico, ou seja, o Canvas da proposta de valor.

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Esta metodologia permite verificar quais são os danos e ganhos da proposta da empresa para o cliente. Logo, na criação da modelagem da proposta de valor buscam-se identificar concepções que criem maiores ganhos e aliviem as dores (danos) aos clientes. Afinal um bom analgésico pode aliviar uma dor e suprir uma necessidade de um cliente.

Se bem implementadas, estas ações desatam um nó existente na comunicação e compartilhamento de informações e conhecimentos na sua empresa, sendo possível conhecer o mercado de um jeito diferente e avaliar as melhores opções existentes para inserir na sua empresa.

Mas uma coisa é certa, não haverá uma ruptura na cultura existente se as pessoas não estiverem comprometidas para gerar planos de mudanças que fomentem a cultura de inovação.

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Guilherme Santana

Mestre em Ciência da Informação. Consultor em Inovação, Planejamento Empresarial e Marketing. E curte NBA, NFL e viajar bastante.

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Guilherme Santana

Mestre em Ciência da Informação. Consultor em Inovação, Planejamento Empresarial e Marketing. E curte NBA, NFL e viajar bastante.